HÉRNIA DE DISCO

A nossa coluna é composta por 33 vértebras, sendo dividida em região cervical, dorsal e lombosacral. A maioria das vértebras está separado por um disco intervertebral fibrocartilaginoso que tem a função de amortecer o impacto e suportar peso.

O disco em si é uma estrutura que está constantemente submetida a carga mecânica e graças a sua cartilagem hialina (que é altamente hidratada) faz sua função de amortecimento e absorção de choques.

Com a sobrecarga mecânica que ocorre durante atividades físicas ou laborais, principalmente em pessoas que possuem desvios na postura, esse disco vai aos poucos se desidratando, e perdendo sua capacidade de amortecimento. Com isso ocorre uma deformação do disco chamada de protusão.

Conforme ocorre a evolução desse desgaste, pode ocorrer a ruptura do disco e o extravasamento do seu conteúdo gelatinoso, o que configura a hérnia de disco. Nessa situação, o disco doente pode comprimir estruturas adjacentes (principalmente raízes nervosas que se originam na coluna) gerando o quadro clínico típico de quem tem hérnia, que é a dor intensa no trajeto do nervo que está acometido que pode ou não acompanhar alterações de sensibilidade ou perda de força.

Muitos são os locais da coluna onde a protusão e a hérnia podem ocorrer, mas a literatura mostra que os locais mais frequentes na coluna lombar seriam entre as vértebras L5 – S1 e L4 – L5. Dependendo da magnitude do desgaste e das estruturas que estão comprimidas proximas ao disco doente, esse problema pode ser assintomático ou então gerar uma dor insuportável.
A hérnia de disco é mais comum em homens na razão de 3:1 e o pico de sua incidência é ao redor da 4a e 5a décadas de vida. Estudos mostram que apenas 5% das hérnias de disco na população geral são de fato sintomáticas.

Outra causa possível do aparecimento da hérnia é deforma aguda, ocorrendo após um movimento de flexão ou extensão da coluna muito intempestivo ou exercícios físicos de agachamento com carga excessiva e em posição incorreta. Nesse caso a dor vem após o trauma e costuma ser muito forte. Felizmente a ocorrência de hérnia de disco aguda é mais rara.

O diagnóstico se dá mediante a exames de imagem, preferencialmente ressonância magnética. A tomografia computadorizada também pode mostrar sinais de hérnia de disco ou discopatia, mas limitações técnicas desse exame não permitem observar detalhes importantes, sendo portanto na maioria das vezes utilizada e ressonância magnética.

O tratamento é realizado sem a necessidade de cirurgia em aproximadamente 90% dos casos. É necessário o repouso e o uso de medicações anti-inflamatórias e analgésicas para o controle da dor.
Fisioterapia e exercícios de alongamento e extensão da coluna são extremamente benéficos para o controle da dor no médio e longo prazo. O fortalecimento da musculatura do CORE também é fundamental para a melhora da estabilização da coluna.

Nos casos mais graves ou que não responderam ao tratamento inicial pode ser necessária alguma intervenção. Nesse sentido, infiltrações radiculares com corticóides podem ser muito efetivas no controle da dor refratária. Já nas situações em que há déficit neurológico progressivo ou que não ocorre melhora após esgotadas as possibilidades de tratamento conservador, a cirurgia para descompressão da hérnia pode ser necessária.